Monsenhor Jardim Moreira: homem de fé e com obra.

Monsenhor Jardim Moreira: homem de fé e com obra

Monsenhor Jardim Moreira: homem de fé e com obra. Nasceu a 22 de novembro de 1941, em plena II Guerra Mundial. O Padre Jardim desde cedo sentiu que a sua vida seria dedicada ao próximo. Na infância, já sabia que queria abraçar o sacerdócio. Tendo convivido com o Padre Américo, cuja vida foi dedicada aos mais carenciados, podemos assim dizer, que foi influenciado por um exemplo de abnegação e entrega ao próximo.

Agostinho Cesário Jardim Moreira foi ordenado a 15 de agosto de 1966, e mantém-se até hoje ao serviço da Diocese de Porto, como pároco de S. Nicolau e Nossa Senhora da Vitória.

Defende que a “A fé sem obras é morta” (Tiago 2:17), pois não basta dizer que se tem fé, é certamente necessário demonstrá-la. Imbuído pelo espírito do Concilio Vaticano II, defende uma Igreja pobre, guiada pelos princípios evangélicos, privilegiando a simplicidade no exercício do seu ministério pastoral.

A sua vida tem sido marcada pela luta constante contra a pobreza, a desigualdade e a exclusão. Um acérrimo defensor dos direitos humanos, move-se por uma fé inabalável e, por uma confiança inquebrantável, na defesa do ser humano na sua integralidade. Um homem de princípios e valores, carácter forte, resiliente, persistente e ousado. Nas suas palavras: porque se a ousadia não fosse fundada em Deus, era loucura.” Com uma vontade de viver incrível, nunca vira a cara à luta. E, quando a situação se complica entrega nas mãos de Deus Pai.

Nos anos 60 do século XX, apelidavam-no de “padre vermelho”, uma vez que visitava regularmente as fábricas têxteis do Vale do Ave para se inteirar dos problemas dos trabalhadores. Com genuína preocupação, percorria as fábricas de batina, dando alento a quem pouco ou nada tinha. Esta necessidade de apoiar os desvalidos da sociedade nunca o deixou. Isto trouxe-lhe algumas chatices com o regime vigente. Mas, nada que o desencorajasse de prosseguir a sua missão. Aquando do regresso do exilio do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, o Padre Jardim escreveu-lhe a pedir que o enviasse para um “sítio pobre e descristianizado”. D. António Ferreira Gomes incumbiu-o da Paróquia de S. Nicolau, em plena Ribeira do Porto. A zona ribeirinha do Porto era conhecida pelas suas problemáticas sociais. Aos 28 anos abraçou este desafio, esta missão e, apesar de ter a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) “à perna”, nunca deixou de lutar pela sua gente com toda a coragem, garra e convicção.

Em 1991, foi o timoneiro da EAPN em Portugal (Rede Europeia Anti-pobreza) cuja missão é “contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, em que todos sejam corresponsáveis na garantia do acesso dos cidadãos a uma vida digna, baseada no respeito pelos Direitos Humanos e no exercício pleno de uma cidadania informada, participada e inclusiva.” Esta é a organização europeia mais ativa na luta contra a pobreza e encontra-se presente em 31 países.

O Papa Francisco reconhecendo a sua disponibilidade e compromisso com a sua missão pastoral da Igreja, conferiu-lhe o título eclesiástico de Monsenhor.

Monsenhor Jardim Moreira ergue-se com uma “voz” critica sobre a pobreza, desigualdade, exclusão e, da falta de políticas eficazes. Persiste na sua luta pela dignidade humana, justiça social e trabalha em prol dos mais desfavorecidos, dos “esquecidos” da nossa sociedade. Ademais, critico da sociedade de consumo, materialista e egoísta em que vivemos, continua a fazer a diferença com os projetos sociais que conduz, determinado e sem pausas. Monsenhor Jardim Moreira afirma que a pobreza em Portugal não é só económica. Por dia, há três pessoas que se suicidam no nosso país. Não será por viverem felizes. O que falta a esta sociedade? Falta justiça, equidade, afeto. Lutar contra a pobreza é lutar pelo desenvolvimento da integralidade do ser humano. A Igreja devia fazer isto mais do que ninguém: procurar proporcionar a todos um crescimento integrado.”

Recentemente, o Centro Social Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, do qual é fundador e presidente, foi distinguido com o Prémio D. António Francisco, pelo reconhecimento dos seus projetos sociais e de solidariedade que impactam a vida de quem recorre ao Centro Social.

O Monsenhor Jardim Moreira é um ser humano inigualável e inspirador.  É um missionário de Deus na Terra, e o seu legado perdurará. Monsenhor Jardim Moreira: homem de fé e com obra. É um exemplo de humanidade, simplicidade, solidariedade, cidadania, empatia, amor ao próximo e de força.  Deste modo, a Associação José Luís da Costa Silva sente-se honrada por ser apadrinhada por ele.

Gratos ao Monsenhor Jardim Moreira por nos apoiar a Dar Mundo a quem AINDA não conhece o Mundo.


Fotografia: Denise Gerotto

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