construir-a-autoestima

Construir a autoestima

Construir a autoestima. Todos sabemos da importância de termos uma boa autoestima, cada vez mais se fala de como devemos começar a trabalhar essa competência nas nossas crianças, mas será que temos noção do que realmente é e do impacto no nosso dia a dia?        

            Vou partilhar uma história de uma mãe, infelizmente talvez igual a tantas outras, ela veio ter comigo muito preocupada porque o filho era gozado na escola, não tinha amigos, ele andava triste, sem vontade de aprender, completamente desmotivado, A mãe dizia que não sabia como ajudar “Ele é como eu, tímido, não é capaz de reagir, tem um bom coração, mas depois tem vergonha e acaba posto de parte”.

            Ora se a autoestima é a maneira como nos vemos, percebem a imagem que esta mãe tem do seu filho, e de si mesma? Carregamos tantos rótulos, preconceitos, mas será que fazem sentido? Porque não pomos em causa o que os outros dizem de nós? Ou até, porque é que isso é assim tão importante? Dependemos da opinião dos outros para construir a nossa autoimagem? Não deveria ser assim, a maneira como nos definimos, a nossa identidade deverá ser criada pelo próprio com o apoio dos adultos de referência, num espaço seguro, onde não existem limitações, comparações ou estigmas.

Para isso é importante trazer à consciência as competências de cada um, quais as suas super forças, o que torna cada um único e especial. Desenganem-se se consideram que isso é ser presunçoso ou gabarolas, pelo contrário, é preciso desconstruir essa falsa ideia de humildade que nos faz ter medo de dizer em voz alta do que somos capazes, mas aceitamos as críticas como normais, é preciso despertar o potencial de cada um, permitir que cada criança, sem medos ou vergonhas, assuma todas as suas capacidades. Quando ajudamos uma criança a construir a sua autoestima, estamos a dar-lhe o poder de decidir sobre a sua vida, de se ver como capaz e acreditar em si mesma.

Essa construção acontece nas pequenas coisas do dia a dia, quando valorizamos o esforço e empenho, mais do que o resultado, quando os elogios são sinceros e factuais, quando nos dispomos a ouvi-los com interesse genuíno e lhes damos o espaço e tempo para que encontrem o seu rumo. Não há nada mais poderoso do que olhar nos olhos de uma criança e perguntar-lhe o Como:

Como vais resolver essa situação?

Como queres agir perante esse problema?

Como podes usar as tuas forças?

Como decides fazer? …

Porque ao fazer isso estamos a passar uma mensagem inconsciente, mas muito poderosa, “Eu acredito em ti” porque estamos a perguntar em vez de apenas criticar ou ir lá e resolver por eles.

            A boa notícia é que em qualquer momento da nossa vida podemos desenvolver a nossa autoestima, nunca é tarde, e o exemplo é a melhor forma de ensinar. Por isso, deixo também um desafio para pequenos e graúdos, escrever uma descrição positiva de si mesmo, como é que se vê, que competências encontra, forças já postas em prática, situações em que foi bem-sucedido, tenho a certeza de que se forem sinceros irão encontrar uma longa lista.

Vou ficar muito feliz de receber as vossas Odes ao Eu Positivo!

Inês Sottomayor | Psicóloga

A Associação José Luís da Costa Silva agradece o contributo da Inês. Será o primeiro de muitos.

Comments are closed.